Atelier Maramgoní
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CRÍTICAS
 
  •        Pintar pode ser um desafio técnico, mas, antes de tudo, precisa ser uma relação visceral com as tintas e a tela. Mais do que discutir a arte, o artista necessita ter um envolvimento com aquilo que faz principalmente no aspecto de buscar um aprimoramento técnico e uma linha de trabalho que o satisfaça enquanto pesquisa estética.

         Maramgoní, com suas Abstrações urbanas, atinge um resultado plástico instigante. Desde os 9 anos, ao acompanhar as aulas de pintura que a mãe fazia, entrou no universo das tintas. E não parou mais. Acompanhou os primeiros passos na técnica e, ainda adolescente, começou a dar aula com tinta a óleo.

         Após passar por vários momentos, linguagens e estilos, encontra, nas suas visões urbanas, um assunto que pode desenvolver dentro de uma técnica balizada pelo conhecimento dos cânones do academicismo, como conceitos de luz e sombra e diálogo entre as cores, com a pesquisa autodidata desde o primeiro contato com a pintura.

         As visões urbanas de Maramgoní estão caracterizadas por um fazer técnico que leva em conta princípios de arquitetura, como perspectiva e continuidade das linhas, mas, progressivamente, existe um processo de desconstrução daquilo considerado bem feito.

         Nas telas trabalhadas em cinza, ocorre a visualização de uma cidade, mas esse referencial é, pouco a pouco, destruído, não de maneira aleatória, mas pela introdução, por exemplo, de mais de uma perspectiva em cada quadro ou pelo uso de massas de cor que quebram expectativas renascentistas de ou ainda por respingos à Pollock que, muito mais que marcas eventuais ou incertas, tendem a surgir a partir das próprias estruturas arquitetônicas evocadas.

         A cidade, geralmente São Paulo, nesse processo de construção e desconstrução de imagens, pouco a pouco, perde seu referencial mais direto e se torna um local impessoal e universal. O que começa a ser ressaltado é a pincelada em si mesma e a técnica. Gradualmente, a preocupação deixa de ser o que se pinta para ser como se pinta.

         Esse é o grande passo de um criador. No momento em que se debruça sobre o metiê, sobre a melhor maneira de resolver os problemas que a feitura coloca, o artista começa a mergulhar mais e melhor nas formas que encontra de desenvolver um assunto e uma técnica.

         O universo urbano, pontuado pela entrada gradual de áreas abstratas que, muito menos que esconder a referencialidade exterior, a valorizam no sentido de promover um rico diálogo entre o manifesto e o sugerido, torna-se então a metáfora da velocidade pela qual o pintor paulistano parece aprimorar o seu trabalho.

         Maramgoní oferece sua visão de arte por meio de uma obra que toma o universo citadino como ponto de partida. Cada nova imagem é um processo de consolidação de sua pintura no mundo e sua afirmação para estabelecer sua própria linguagem, lírica nos seus melhores momentos, abstrata, no sentido de colocar questões,  e urbana por ter nos edifícios e na cidade o assunto que estimula a sua matriz criadora.             

              

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

                          MARAMGONÍ 

  • Na busca de uma nova leitura artística, baseado em novas questões estéticas e estruturado em um desenho primoroso, Maramgoni, ressurge no cenário artístico brasileiro como uma grande promessa.

Dono de um vasto conhecimento pictórico, com sua paleta de um rico colorido, apresenta-nos um trabalho primoroso.

Seguindo por está nova vertente da pintura, Maramgoní, surpreende a cada instante, com uma nova solução para a sua arte, que nesse momento, é de uma rara beleza.

Um dos princípais representantes da Escola Longuiana, da qual é um dos fundadores, traz em seu trabalho atual um procedimento fundamentado em uma arquitetura filosófica, onde seu indiscutível talento é colocado a prova. Sua resposta é uma arte maravilhosa, que caminha para uma abstração conclusiva, que é o objetivo desta escola.

Portanto, apostar na arte de Maramgoní, como investimento, é apostar em uma arte revestida de um valor estético singular, uma forma inteligente de formatar  uma coleção de novos valores, onde predomina um talento incontestável.

Sérgio Longo - Primavera - 2005.

 

  • O trabalho de Maramgoni surpreende ao primeiro contato , trazendo uma
    São Paulo antiga , com um ar contemporâneo e elegante, lembrando
    cenário de filme noir. Assim, seus quadros nos convidam a participar
    desse filme, a conhecer a cidade e virar personagem das estórias
    contadas na tela. Um artista que exala vigor e inquietação,
    constantemente nos chamando a dialogar com as narrativas que parecem
    se sobrepor num ambíguo roteiro  cinematográfico dos anos 40/50,
    Maramgoni conversa com o passado e futuro  com maestria
    .

 

ANA RAMOS (Galerista) 


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